Wednesday, January 18, 2017

Molobaly Traoré


Child of Macina and high priestess of the Niono cercle
she will always  be remembered over Mali and beyond 
as the singer of the farmers,the humble laborers  of the land
who know well that soil and  water are more precious than oil and gold.






Friday, December 30, 2016

Fernando Sofia Rosa


Son of Elisio Sofia Rosa and Marquinha Rosa, Fernando Sofia Rosa was born in Ambriz, Bengo province, and lived in Samba neighborhood in Luanda. In 1963, he joined the Ngongo Theatrical group, founded by José de Oliveira Fontes Pereira. With the group participated in a tour to Portugal, where they recorded a program for television.The recordings of Sofia Rosa, started in 1970 for the label of Valentim de Carvalho, and he was accompanied by the ensembles "Os Corvos", "Os Astros" and "Ngoma jazz".
 Sofia Rosa was one of the best creators and interpreters of music in the Kimbundu national language, translating the pulse of  poor people's life , into song. The songs of Sofia Rosa fundamentally address
 female beauty , homesickness, God, criminality, and social conflicts of the everyday life of the musseques.
He moved to Lobito in 1973. When in November 1975 the Unita forces took the town, Sofia Rosa, who had never concealed his sympathies for the MPLA, was murdered, probably by Savimbi's troups.


 A significant part of the work of Sofia Rosa was reissued on the cd "Memórias" in 2006, an edition of the program "Poeira no Quintal", of the National Radio of Angola,that brings together  his songs: "Ngala Ny Gienda", "Ngolo Binga Kuá Nzambi "" Maria Di Pambala "," Ngala Ny Nela Ya Xiquelela "," Issuma "," Kamba Uaia ", accompanied by the ensemble" Os Corvos "," Muku Tunda "and" Longo Long Logiami "with Ngoma Jazz. Finally, the recordings of "Kalumba", "Nguexile Mutunda Mu Sambila", "Kumulundo", "Imbua iolo Boza", "Makuanhadi ya mivu" and "Manhinga mami" had "Os Astros", as accompanying support.

Wednesday, December 28, 2016

monangambé


monangambé


Naquela roça grande
não tem chuva
é o suor do meu rosto
que rega as plantações;
Naquela roça grande
tem café maduro
e aquele vermelho-cereja
são gotas do meu sangue
feitas seiva.
O café vai ser torrado
pisado, torturado,
vai ficar negro,
negro da cor do contratado.
Negro da cor do contratado!
Perguntem às aves que cantam,
aos regatos de alegre serpentear
e ao vento forte do sertão:
Quem se levanta cedo?
quem vai à tonga?
Quem traz pela estrada longa
a tipóia ou o cacho de dendém?
Quem capina e em paga recebe desdém
fuba podre, peixe podre,
panos ruins, cinquenta angolares
"porrada se refilares"?
Quem?
Quem faz o milho crescer
e os laranjais florescer?
- Quem?
Quem dá dinheiro para o patrão comprar
máquinas, carros, senhoras
e cabeças de pretos para os motores?
Quem faz o branco prosperar,
ter barriga grande
- ter dinheiro?
- Quem?
E as aves que cantam,
os regatos de alegre serpentear
e o vento forte do sertão
responderão:
"Monangambééé..."

Ah! Deixem-me ao menos subir às palmeiras
Deixem-me beber maruvo
e esquecer diluído
nas minhas bebedeiras

  "Monangambéé...''

António Jacinto -Poemas, 1961



Muadiakimi/Birin Birin


quem tá gemendo
Quem tá gemendo,
Negro ou carro de boi?
Carro de boi geme quando quer,
Negro, não,
Negro geme porque apanha,
Apanha pra não gemer...

Gemido de negro é cantiga,
Gemido de negro é poema...

Gemem na minh′alma,
A alma do Congo,
Da Niger, da Guiné,
De toda África enfim...
A alma da América...
A alma Universal...

Quem tá gemendo,
negro ou carro de boi?


Solano Trindade
Poemas d'uma vida simples 1944




adeus à hora da largada

Minha mãe
(todas as mãe negras
cujos filhos partiram)
tu me ensinaste a esperar
como esperaste nas horas difíceis

Mas a vida
matou em mim essa mística esperança

Eu já não espero
sou aquele por quem se espera

Sou eu minha Mãe
a esperança somos nós
os teus filhos
partidos  para uma fé que alimenta a vida

Hoje
somos as crianças nuas das sanzalas do mato
os garotos sem escola a jogar a bola de trapos
nos areias ao meio-dia
somos nós mesmos
os contratados a queimar vidas nos cafezais
os homens negros ignorantes
que devem respeitar o homem branco
e temer o rico
somos os teus filhos
dos bairros de pretos
além aonde não chega a luz eléctrica
os homens bêbedos a cair
abandonados ao ritmo dum batuque de morte
teus filhos
com fome
com sede
com vergonha de te chamarmos Mãe
com medo de atravessar as ruas
com medo dos homens
nós mesmos

Amanha
entoaremos hinos à liberdade
quando comemorarmos
a data da abolição desta escravatura

Nós vamos em busca de luz
os teus filhos Mãe
(todas as mães negras
cujos filhos partiram)
vão em busca de vida.




muimbo ua sabalu


Mon'etu ua kassule
Akutumissa ku San Tomé
Mon'etu ua kassule
Ua kutumissa ku San Tomé

Kuexirié ni ma documentu
Aiué, aiué
Kuexirié ni ma documentu
Aiué, aiué

Mon'etu ua ririlé
Mama ua sanukilé
Mon'etu ua ririlé
Mama ua sanukilé

Aiué, aiué
akutumissa ku San Tomé
Aiué, aiué
akutumissa ku San Tomé

Mon'etu ua kassule
akutumissa ku San Tomé
Mon'etu ua kassule
akutumissa ku San Tomé

Kuexirié ni ma documentu
Aiué, aiué
Kuexirié ni ma documentu
Aiué, aiué

Mon'etu uai kia
Uai imu pulaia
Mon'etu uai kia
Uai imu pulaia

Aiué, aiué
akutumissa ku San Tomé
Aiué, aiué
akutumissa ku San Tomé

Mon'etu ua kassule
akutumissa ku San Tomé
Mon'etu ua kassule
akutumissa ku San Tomé

Kuexirié ni ma documentu
Aiué, aiué
Kuexirié ni ma documentu
Aiué, aiué

Mon'etu ua dirilé
Mama ua salukilé
Mon'etu ua dirilé
Mama ua salukilé

Aiué, aiué
akutumissa ku San Tomé
Aiué, aiué
akutumissa ku San Tomé

Mon'etu ua kassule
akutumissa ku San Tomé
Mon'etu ua kassule
akutumissa ku San Tomé

Kuexidié ni ma documentu
Aiué, aiué
Kuexidié ni ma documentu
Aiué, aiué

Mon'etu uai kia
Uai imu pulaia
Mon'etu uai kia
Uai imu pulaia

Aiué, aiué
Ua kutumissa ku San Tomé
Aiué, aiué
Ua kutumissa ku San Tomé
Aiué, aiué
Ua kutumissa ku San Tomé
Aiué, aiué
Ua kutumissa ku San Tomé
Aiué, aiué, aiué
Ua kutumissa ku San Tomé
-----
(Nosso filho caçula
Mandaram-no pra S. Tomé
Não tinha documentos
Aiué!
(Nosso filho chorou
Mamã enlouqueceu
Aiué!

Mandaram-no pra S. Tomé
Nosso filho partiu
Partiu no porão deles
Aiué!

Mandaram-no pra S. Tomé
Cortaram-lhe os cabelos
Não puderam amarrá-lo
Aiué!

Mandaram-no pra S. Tomé
Nosso filho está a pensar
Na sua terra, na sua casa
Mandaram-no trabalhar
Estão a mirá-lo, a mirá-lo
—Mamã, ele há-de voltar
Ah! A nossa sorte há-de virar
Aiué!

Mandaram-no pra S. Tomé
Nosso filho não voltou
A morte levou-o
Aiué!)

Sunday, December 25, 2016

Carlos Lamartine




Histórias da Casa Velha is a collection of songs released in Angola,
mainly during the years leading to independence in 1975.
In the 1960s and 1970s, Carlos Lamartine was one of the leading voices
 in the struggle against the Portuguese and this collection highlights the difficulties and victories of the liberation movements he was a part of.
This collection reflects the originality and rhythmic diversity of Angolan music,
as well as its social and political roots in pre-independence Angola. Behind every one
of these songs, there is a tragedy, and the tacit acceptance of a troubled history.
 But beyond traditional fatalism, these songs also display hope and Angola's then continuous fight
 for freedom.





Saturday, December 24, 2016

a gift from Angola


In the mid 1950s, the band Ngola Ritmos performed at the Teatro Nacional (National Theater) in Luanda’s baixa.  The venue’s name referred, of course, to the Portuguese that nation embraced Angola as an overseas territory.  This was not custodial colonialism but fierce possession dressed up in lusotropicalist discourse.  Angolan ‘folklore,’ which Ngola Ritmos represented, served to encapsulate and perform difference, making quaint what was potentially explosive cultural difference.  The Portuguese nation would subsume Angolan specificity in a demonstration of the Portuguese skill at adapting to the tropics.  Yet when Ngola Ritmos sang that night at the Teatro Nacional the emcee re-inscribed the divide between musseque and baixa, African and Portuguese, thus disrobing the lusotropicalist fantasy. 

continue....


1-Ngola Ritmos - Muxima
2-Ngola Ritmos - Django Ué
3-San Salvador - Enzol’eyaya
4 -Kaboko Meu - Na rua de São Paulo
5-União Mundo - Amanhã vamos à procura da chave
6-Mestre Geraldo Morgado - Mini saia
7-Minguito - Sant’Ana
8-Ngola Ritmos - Nzage
9-Duo Ouro Negro - Kurikutela
10-Sara Chaves - Kurikuté
11-Elias Dia Kimuezo - Ressurrreição
12-Lilly Tchumba - Paxi Ngongo
13-Gingas - Lamento
14-Luís Visconde - Chofer de Praça
15-Quinteto Angolano - Kupassiala Kua Aba
16-Dimba Dya Ngola - Fixe
17-Os Kiezos - Rumba 70
18-Vum Vum - Muzangola
19- José Viola - Oholwa
20-Ruy Mingas - Monangambé
21-Teta Lando - Mumpiozzo Ame


1956-1970


*

Friday, December 16, 2016

Hamdun Habeet



 Hamdun Habeet comes from Yemen and was known to me from the same pile of yemeni  tapes
as  Fadal al Kareedi
a master  oud  player and a passionate singer
and yet another revelation.
no information whatsoever -and if you know anything more please share it with us-
but for now it is the music that matters above all.
thanks to mushmir




Thursday, December 8, 2016

A donso alone


a wonderful donso ngoni recording
with Samba Traore at the controls  from  the distant 1999
bare and essential